domingo, agosto 12, 2007

Pregação de sábado 11/08 em Mbandaká

Na 6ª-feira terminamos o trabalho mais cedo para nos preparar para o sábado. Eu pensei em trabalhar mais um pouco quando estávamos em casa, mas foi só até descobrir o que me aguardava J.

Comemos. Depois que já havíamos terminado de comer, Félix foi dormir. Eu e François ficamos conversando. Enquanto comíamos estávamos conversando sobre o que é ser corajoso, mas a conversa mudou totalmente: “Então, você prega amanhã”, dizia François. Eu que havia pregado somente quando era bem pequeno (imagino uns 15 anos) e um sermão “pronto” durante uma semana de oração feita pelos jovens... Pergutei, “Amanhã?” François vinha de me explicar que no outro sábado Félix iria pregar e que esses eram dois últimos sábados que estaríamos aqui, então, sim, eu pregaria amanhã.

Fiquei feliz, mas meio apavorado. Havia até pensado em escrever alguma coisa, me preparar com antecedência, escolher um tema com dias de antecedência... Agora eu tinha somente algumas horas, para fazer o primeiro verdadeiro sermão de minha vida, a primeira pregação que iria fazer após o meu chamado!

Quando estava ainda tonto pela noticia, pedi a Deus para me mostrar sobre o que deveria pregar, e logo tive a resposta. Lembrei-me de João 21:7. Iria pregar sobre esse verso.

Quando íamos ao culto de pôr-do-sol comentei sobre um e-mail que havia recebido do Henrique na 6ª-feira anterior no qual ele me dizia que quando Deus nos chama não temos dúvidas. Relembrei e comentei com François como ele havia confirmado o meu chamado ao contar do chamado de Jeremias e dizer que Jeremias tinha 21 anos quando recebera o chamado. Após o fim do culto, ao voltarmos, enquanto estávamos caminhando François me mostrou I Coríntios 2:1-7. Pude entender que Paulo, aquele que provavelmente havia mais estudado a Bíblia dentre os discípulos, falava que tudo que havia estudada de nada servira enquanto não estava fundada em Cristo e que o verdadeiro poder não vem de nosso conhecimento mas do poder do Espírito Santo atuando em nós. François também me lembrou da resposta de Deus a Moisés, quando este se disse ser “pesado de boca e pesado de língua”: “Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.”, Êxodo 4:11-12. Esses textos me davam coragem... eu estaria pregando em francês!

Resolvi que se o Deus realmente iria colocar em minha boca as Suas palavras, como prometeu à Jeremias, eu não deveria escrever nada! Havia pensando em escrever principalmente para não me perder no vocabulário e para poder lembrar as referências. Agora me lembro que no dia da minha “provação” causada pelo Lariam, quando fui buscar a Deus, o primeiro dos 3 textos que li (ao acaso?), e que me tocaram muito foi o chamado de Jeremias! Era como se Deus os estivesse escolhido para falar para mim. Até a ordem em que os li parecia importante, então eu até enviei esses três textos na ordem em que os havia lido para o Henrique, Samuel e Patrícia. Se Deus me havia chamado como chamou Jeremias, eu devia conviar nEle.

Jeremias 1:

5. Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.

6. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança.

7. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás.

8. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR.

9. Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.

10. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares.

Li sobre o que iria pregar e fui dormir.

PS: Ontem (5ª-feira) eu achei legal quando Félix foi explicar o que eu estava fazendo aqui para um amigo que encontrou na rua. Ele disse que eu estava fazendo um estágio missionário! Fiquei super contente... rsrsrs, Deus também deve pensar que eu sou bobo, rrsrsrsrs.

O sábado chegou e estava bonito – o grande dia havia chegado... Seria um fiasco? O que aconteceria? Eu não sabia, mas estava contente. No café da manhã, Félix me deu algumas dicas e disse que um bom sermão devia durar entre 30 e 45 min. Foi bom ter essa noção de tempo, pois eu não tinha muita idéia de quanto tempo devia falar, rrsrssrs.

O som quebrou. Um fio rompeu quando o som foi transportado para a igreja. Mas quando François me explicou isso eu nem fiquei preocupado quando ele disse que eu deveria falar alto por causa da igreja. Só pensei: “Deus proverá”. Havíamos recebido algumas visitas, e como de costume, ficamos discutindo a lição juntos até 11h30. Então a hora chegou. Me reuni com Félix e fomos para uma salinha. Em alguns momentos eu estaria lá na frente e não tinha nem idéia do que diria, nem da oração inicial. Então, comecei a tentar memorizar uma oração, mas vi que não devia fazê-lo e reli Jeremias 1. Fiquei mais tranqüilo.

Fomos à plataforma. Eu havia escolhido João 21:7, para que Félix lesse ao início, então ele leu:

Aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! Simão Pedro, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com sua veste, porque se havia despido, e lançou-se ao mar;”

A oração inicial saiu totalmente diferente do que estava tentando memorizar. E o sermão começou. Eu falava e Félix fazia a tradução simultânea para o Lingalá. Havíamos combinado de fazer assim, pois algumas mamães não falavam francês.

Comecei contando que Jesus havia contado algumas coisas para Seus discípulos, sobre como devia morrer e que seu reino não era um reino terrestre, mas que suas vontades os impediam de compreender o que Jesus os dizia. Passamos pela traição de Pedro e contei o que Pedro havia sentido ao ver um olhar de amor em Jesus ao lhe haver traído 3 vezes. E contei que Pedro não pode suportar esse olhar de amor e teve que fugir:

“Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.”, Lucas 22:62

Seus pecados o separavam de Jesus e Pedro não podia suportar sua condição. Pedro não amava Jesus pelos milagres que este havia feito, mas por que O conhecia. Pedro, soube que havia sido perdoado quando viu a Jesus. Soube que Jesus o havia perdoado antes mesmo, quando lhe disse que O negaria três vezes. Foi uma das partes mais fáceis, pois eu só precisei descrever aquele sonho que havia tido!

Passamos ao domingo da ressurreição, ao encontro de Maria Madalena com Jesus. Como ela só reconheceu a Jesus ao ouvir Sua voz.

Seguimos os dois discípulos ao caminharem ao lado de Jesus no caminho de Emaús. Não reconheciam Sua voz nem podiam vê-Lo. Jesus lhes explicara todas as Escrituras durante o dia, mas somente após anoitecer, após uma pequena oração de Jesus, quando este partia o pão para comerem, que os esses dois discípulos O reconheceram. Foi durante a noite, que viram! A falta de fé desses discípulos, os nossos pecados igualmente, nos cegam de ver a Jesus, de escutar Sua voz.

“Ó néscios e tardios de coração para crer tudo que os profetas disseram!”, Lucas 24:25

Quantas vezes estamos ao lado de Jesus e ouvimos Sua voz e não O podemos reconhecer? Fiz uma pergunta à congregação: “Como podemos reconhecer a voz de Jesus?” Então li o trecho:

“Porventura, não nos ardia o coração, quando Ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?”, Lucas 24:32.

Sentimos nosso coração arder ao ouvir as palavras de Jesus quando lemos as Escrituras? Se a resposta é não, talvez haja algo de errado...

Os outros discípulos, não puderam crer nem no testemunho das mulheres, nem desses dois discípulos. Então Jesus aparece aos discípulos, com exceção de Tomé. E depois novamente quando Tomé está presente.

Saímos de Lucas e vamos a João 21. Os discípulos estão voltando após uma noite de pesca sem resultados, e eram pescadores profissionais. Jesus lhes diz para jogarem as redes mais uma vez e encontram muitos peixes. Então:

“Aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: ‘É o Senhor!’
Simão Pedro, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com sua veste, porque se havia despido, e lançou-se ao mar;”, João 21:7

Contei como Pedro não pode esperar, e largou todo aquele peixe para se encontrar com seu Mestre. Como devemos nos humilhar e reconhecer nossas falhas e chorar como Pedro fez após trair seu Mestre, e como devemos largar tudo, e nos jogar ao mar para encontrar a Jesus.

Então agora Jesus pergunta: “Pedro tu me amas?”, e Pedro responde rapidamente: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”. Pedro está tranqüilo, mas então Jesus lhe pergunta novamente: “Pedro tu me amas?”, Pedro se entristece e pergunta a seu próprio coração se está respondendo da mesma forma que respondeu quando Jesus lhe disse que ele lhe trairia três vezes e responde: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”. Então Jesus pela terceira vez pergunta: “Tu me amas?” Então Pedro, lhe diz: “Senhor, Tu sabes todas as coisas”, Tu sabes que eu sou fraco mas quero te amar, sou pecador mas quero seguir-Te, te amo com esse amor que Tu mesmo me deu mas quero te amar mais, quero que me dês mais desse Seu amor, dessa Sua fé, “Tu sabes que eu te amo.”

Terminei falando que devemos, eu o primeiro, nos jogar ao mar, aos pés de Jesus. Não esperar, deixar todos os peixes, deixar tudo que nos separa de Jesus, e correr aos pés de Jesus. Nos humilhar e pedir para que Ele nos perdoe, nos santifique para que possamos estar perto dEle, ouvir a Sua voz.

Foi muito bom. Lembrei várias vezes da grande responsabilidade de ser pastor, que ser pastor não é somente pregar, mas sim, levar as pessoas à Jesus. Não sei exatamente como Deus quer me usar, onde e quando, mas trabalhar em Sua obra é a minha vontade. Quero ir às nações, a todos a quem Deus me enviar ir; e tudo quanto Ele me mandar falar.

No caminho para casa e em casa François disse ter gostado muito do sermão, que havia tocado as pessoas da igreja... Eu gostei muito de poder ser usado pelo Espírito Santo.

3 comentários:

Patrícia disse...

Olá André.. Nossa li o que vc escreveu no dia 11/08.. Que bom, que alegria em saber que você conseguiu realizar algo que tinha feito a muito tempo.
Estou orgulhosa de vc
que Deus te abençõe sempre.
Sua Amiga Paty

Anônimo disse...

Amigo André,

Mais uma vez, parabéns pela pregação!
Que você continue com entusiasmo e humildade para servir ao Senhor.
Continue perserverante e confie nas promessas do Senhor para sua vida!
Você ainda será muito usado por Deus, como deseja seu coração!

Deus abençoe sua vida sempre e que a cada dia você seja um intrumento de benção em Suas mãos!

Gláucia

Glau =) disse...

Saudade de compartilhar destas coisas e ler as postagem deste blog.

Deus te abençoe amigo querido!